quarta-feira, 19 de outubro de 2011

São Paulo a Barra do Una - Último Dia

No sábado acordei as 6:00 da manhã, para poder me arrumar para ir embora, mas estava chovendo forte, então voltei a dormir, acordava de quando em quando e a chuva sempre caindo, por volta das 9:00 a chuva deu uma diminuída e eu aproveitei para desmontar o acampamento depressa. Me despedi da Barra do Una de baixo de água, e o que me salvou mais uma vez foi a capa de chuva que ganhei do meu amigo Renato.



Me disseram que o caminho de volta era mais complicado do que a ida, mas eu achei a volta bem mais tranqüila, por incrível que pareça era mais gostoso e motivante pedalar na chuva, o pneu da bike, que patinava em falso na lama, fazia eu me sentir numa pista de cross ou em alguma corrida de aventura, aquela chuva toda e o meu capacete enorme (que tenho certeza que meu amigo Nelson diria “ capacete de viatnamita”) faziam eu me sentir um verdadeiro guerrilheiro. Venci a estrada com bastante disposição e sem muita dificuldade e quando fui me dar conta já estava na Cachoeira do Paraíso.



Os moradores do local não quiseram me deixar entrar na cachoeira, disseram que era muito perigoso entrar com a água do jeito que estava e que a correnteza do rio poderia me levar, depois de alguma insistência acabaram deixando que eu entrasse contanto que eu não fosse para o meio do rio, entrei na água sem muito esforço afinal eu já estava bastante molhado, e tomei um banho na Cachoeira do Paraíso sem poder ir no tobogã natural, não tem problema, eu só querima me lavar mesmo.



Depois do banho, pedi pra moça do quiosque à margem do rio, para preparar um prato de almoço especial para mim, me tornei vegano há quatro meses, então meu prato teve o frango substituído por uma porção de mandioca frita.

Almocei e depois pedalei até a rodoviária de Peruíbe, onde comprei uma passagem para São Paulo, enquanto esperava o ônibus um senhor que estava sentado no banco da plataforma de embarque me perguntou se eu viajava o mundo de bicicleta, depois de eu dizer a ele que só fazia algumas viagens de vez em quando continuamos a conversar. Ele me disse, dentre outras coisas, que era muito doente, e quando perguntei o que ele tinha me surpreendi com a sua resposta “Depressão” e ele completou dizendo que já era muito velho e sem ninguém, e que sentia muita solidão. Ele também falou que eu devia parar de viajar de bicicleta, que esse tipo de aventura era muito perigosa, e que eu devia viajar de avião pois as passagens hoje em dia são muito baratas, e eu falava a ele que de avião não tinha graça porque não tinha aventura. No fim das contas ele me passou seu endereço e me disse que se eu voltasse a Peruíbe, poderia ficar sem problemas, acampado no sítio dele, onde havia cachoeiras e outros passeios por perto. Meu ônibus chegou e eu me despedi do simpático senhor que atendia pelo nome de João.

Cheguei em casa de noite, finalizando minha pequena aventura de feriado, que bastou para eu não me esquecer de que a vida é muito maior do que a rotina inerente ao cotidiano da vida urbana que levo.

Deixo abaixo o link do vídeo com as fotos da viagem, basta clicar nele para assistí-lo:

http://www.youtube.com/watch?v=9DCAxLhGIDk&feature=channel_video_title

Ciclo Abraços!

São Paulo a Barra do Una - 3º Dia

Durante a noite sonhei que a maré tinha subido tanto que a água do mar invadia minha barraca e eu simplesmente acordava observava o ocorrido e de tanto sono voltava a dormir sem dar importância para a água. Pela manhã quando acordei a primeira coisa que fiz foi verificar se tava tudo seco, mas tinha sido apenas um sonho mesmo.

Logo cedo subi no alto das pedras para tomar meu café da manhã composto de pão puro que eu havia comprado no dia anterior na Juréia e as maçãs que comprei na estrada para Peruíbe.
Durante o dia tomei muito banho de mar, com os dias nublados a água estava bastante gelada, difícil apenas para entrar, depois de mergulhar o corpo todo eu soltava um berro empolgado “UHUUUUULL!” tendo a certeza de que não existia ninguém ali por perto para me ouvir. Também fiz um pouco de parkour nas pedras e almocei as frutas secas que minha mãe tinha comprado para mim.



No fim da tarde, resolvi novamente subir nas pedras, dessa vez para escrever cartas para algumas pessoas queridas.

O céu foi escurecendo e entrei na barraca para terminar as tais cartas e quando já era noite saí pra caminhar e olhar o céu. Por volta das 22:00, enquanto eu olhava na câmera as fotos da viagem, me aparece um vulto no meio da escuridão da noite resmungando qualquer coisa, fiquei muito assustado e comecei a andar de pressa para longe dele que continuou me acompanhando até a hora que eu falei:

- Espera, não se aproxima de mim!

Na mesma hora ele parou onde estava e disse

-Não quero te fazer mal, não sou bandido nem nada, só quero saber se você tem maconha.

Me acalmei e me aproximei dele pra responder que não tinha.

O vulto que me deu um enorme susto se chamava Eliseu, devia ter seus 40 anos e era Paranaense, tivemos uma conversa rápida e eu até pensei em perguntar o que ele tava fazendo ali, caminhando sozinho no meio do breu da noite, mas antes de perguntar isso me ocorreu que minha presença ali também não fazia muito sentido. Nos despedimos, o Eliseu foi embora e eu fui dormir.

São Paulo a Barra do Una - 2º Dia

Caia bastante chuva quando eu sai do Fazendeiro na quinta de manhã, o que acabou sendo uma excelente oportunidade para testar a capa de motoqueiro que o meu amigo Renato me deu de presente. A capa passou no teste com tranqüilidade.



No caminho parei para comprar uma maçãs e tomar um caldo de cana numa barraca de frutas da estrada, lá haviam dois caminhoneiros que me perguntaram pra onde eu estava indo, quando escutaram “ Barra do Una” como resposta, exclamaram: “Nossa, tem chão até lá!”, em seguida me perguntaram da onde eu vinha e ao descobrirem que era de São Paulo me disseram: “ Ah, então a Barra do Una tá pertinho”. Parece que tudo é uma questão de parâmetro.

Depois que a chuva parou tirei a capa e troquei o par de chinelos pelo par de tênis, fui pedalando pela estrada até escutar um “ploft”, olhei para trás e minha barraca tinha caído no chão, foi quando me dei conta de que na hora de pegar meu par de tênis eu havia esquecido o alforje aberto. Descobri em seguida que as correntes que eu utilizava para prender a bike com segurança haviam, também, caído pelo caminho. Pedalei de volta alguns quilômetros até o ponto onde eu tinha trocado os calçados e nada, então comprei correntes novas e cadeado numa loja de construção em Peruíbe.

Também em Peruíbe almocei em um self service boca livre e de novo me disseram que a Barra do Una estava longe e depois de constatarem que eu vinha de São Paulo mudaram de idéia, “O que, você veio de São Paulo?! Então a Barra do Una esta do lado!”.

No restaurante mesmo me explicaram como chegar. Peguei uma estrada íngreme que subia o morro até chegar numa pequena vila com o nome de Juréia. A partir de lá a estrada era de terra e a bike Melinda (existe uma pequena tradição entre cicloturistas de dar nomes as suas magrelas) resistiu bem a lama e aos buracos.



Passei por uma espécie de portaria que delimitava a área de reserva ambiental onde um guarda florestal me perguntou onde ia e o que pretendia fazer lá, respondi que tinha ido conhecer a Barra do Una e que pretendia ficar acampado num camping, depois disso ele liberou minha passagem me dizendo que eu só poderia acampar se fosse realmente em um camping. Na verdade eu não pretendia ficar em um camping, mas o guarda não me liberaria se eu dissesse isso.

Finalmente, já bastante sujo de lama e cansado, cheguei a Barra do Una, onde havia um pequeno vilarejo. Fui até a praia onde não havia ninguém, pedalei até a costa e armei minha barraca de frente para o mar e depois, já que a praia era deserta mesmo, fui sem nenhuma peça de roupa dar um mergulho no mar para lavar o corpo e o espírito.



De noite um clarão do lado de fora iluminou minha barraca, imaginei que fosse uma lanterna de algum guarda florestal, apaguei minha lanterna e fiquei em silêncio fingindo que estava dormindo, depois de alguns minutos de novo a claridade piscando do lado de fora da barraca, pensei: “ Já era, já me viram, melhor eu sair e tentar explicar que havia montado acampamento ali porque não havia encontrado nenhum camping aberto (de fato quando passei pelos campings, todos eles pareciam fechados e sem ninguém). Resolvi esperar que me chamassem, mas não me chamaram, e de novo a luz piscou em frente a minha barraca, peguei minha lanterna, abri a barraca devagar, do lado de fora chovia e parecia não ter ninguém, voltei para dentro já achando que eu estava paranóico e de novo a claridade, abri de novo a barraca e fiquei só com a cabeça para fora até identificar que luz era aquela que piscava com freqüência e verifiquei que se tratavam de raios que caiam lá no fundo do oceano e iluminavam todo o céu. Depois disso fui dormir tranquilo, imaginando que nenhum guarda florestal apareceria para me tirar dali no meio daquela chuva.

São Paulo a Barra do Una - 1º Dia

Na quarta feira passada, dia 12 de outubro, aproveitei o feriadão mega estendido para sair numa viagem de bike até a Barra do Una.



Depois de me despedir de minha mãe, por volta das 12:00 horas, peguei a avenida Eliseu de Almeida para chegar no Taboão da Serra e de lá cair na BR16, “ A rodovia da Morte”, de fato, já nos primeiros quilômetros, na divisa de Taboão da Serra com Embu das Artes, me deparei com a morte de um tucano e mais dois outros pássaros que tinham seus corpos estendidos no acostamento. Uma pena.




Segui viagem e com freqüência os caminhoneiros, ao me ver pedalando numa bike cheia de bagagem, sorriam, davam buzinadinhas e acenavam com as mãos. Eu retribuía acenando de volta.

Depois de pedalar por algumas horas, resolvi parar para descansar um pouco e “esticar” as pernas, um homem que estava passando numa bike toda equipada parou do meu lado e falou:
- Cansa né?!
Respondi que sim, depois disso ele não falou mais nada, mas permaneceu do meu lado, parecia que ele queria estar próximo de mim mesmo não tendo nada a dizer, eu também fiquei quieto por um tempo, tomei uma água, dei uma olhada para a estrada e comecei a achar aquela situação engraçada, então quebrei o silêncio:
- Você mora aqui na região?
-Moro! Respondeu com uma única palavra.
Mais um pouco de silêncio e então perguntei:
-Falta muito para a descida da serra?
-Ela começa no final dessa subida, são 30 Km de serra com poucas subidas no caminho.
Respondi que era melhor eu ir se não eu só chegaria no Fazendeiro depois de escurecer. Agradeci o ciclista local pelas informações e ele me desejou uma boa viagem.

A descida da serra estava com o acostamento em obras e a pista estava toda congestionada, por isso, aproveitei a ladeira para ir como moto, entre as faixas do asfalto e os caminhões parados, no fim da tarde com o céu quase escuro eu estava chegando no Fazendeiro, lugar onde pretendia passar a noite.




No Fazendeiro, tomei banho, jantei e depois me acomodei na mesma salinha escondida onde eu havia dormido no ano passado quando pedalei de São Paulo a Foz do Iguaçu.
Fui dormir cedo para no dia seguinte retomar viagem rumo a Barra do Una.

terça-feira, 19 de julho de 2011

São Paulo - Praia Grande



Neste último fim de semana (16 e 17 de julho de 2011) fiz uma pequena expedição até a Praia Grande na companhia de minhas duas amigas Raquel Gomide e Sofia Miranda, para assistir no youtube o vídeo com as fotos desta curta aventura de inverno, basta clicar neste link:

http://www.youtube.com/watch?v=87zcuJMLM1Q

Ciclo abraços!

Compras no Paraguai e Volta para casa

Eu pretendia comprar apenas um odômetro e talvez um grupo shimano alivio, mas quando o Nelson me mostrou a sua bike, foi preciso apenas bater o olho para decidir. “ Quero uma bike completa!”. Falei para o Nelson que a bike dele tinha apenas um defeito: era linda de mais. Acabava chamando a atenção de ladrões. Acabei decidindo por não comprar o quadro e comprar um mais simples em São Paulo. Chegando no Paraguai, comprei tudo, exceto o quadro...pera um pouco...Quadro GTS por apenas 98 dólares?! Não teve jeito, comprei a bike completa mesmo.



Declaramos a bike para que não houvesse problemas com a alfândega. Tudo certo! Gastei 800,00 em uma bike de 1400. Aproveitei ainda para comprar uns acessórios. Quem completou a bike foi o Nelson que me deu de presente um suporte de caramanhola, que ele tinha sobrando em sua casa. Este foi o fim. O Nelson me acompanhou até a rodoviária e me ajudou a empacotar a bagagem, nos despedimos e entrei no ônibus de volta para São Paulo. Agradeço de mais ao Nelson pelos dois dias em que me hospedou em sua casa, com direito a refeições, boas conversas, companhia e ajuda para comprar tudo o que eu queria. Espero ainda reencontrá-lo, nem que seja para dar um rolezinho de bike por aí. Aqui se conclui a viagem, onde deixo um agradecimento a todos que de alguma forma me ajudaram, nem que seja apenas com um apoio moral. Deixo também um video com as fotos da viagem para quem tiver interesse em assistir:

http://www.youtube.com/watch?v=gRF_X_29_1E


video

Na verdade a viagem nunca acaba, espero fazer da minha vida uma grande viagem, mas neste momento preciso parar um pouco em São Paulo, para estudar, trabalhar e depois retomar o meu caminho, por tanto, nos vemos por aí!

A casa do Neson

Philip saiu da lanchonete, pedalando pela chuva e vento muito gelado seguido por mim, e rapidamente chegamos à casa do Nelson, que também era cicloturista e morava em Foz, eu já até o conhecia da comunidade de cicloturismo da Internet.
Na casa do Nelson conversamos sobre antigas viagens, futuros roteiros, e bikes, para depois jantar uma ótima macarronada feita pela mãe do Nelson e ir dormir.



Quando acordei por volta das 11:00 da manhã o Philip já tinha se mandado fazendo o caminho inverso que eu tinha feito para chegar em Foz, tomei o café para depois seguir as orientações do Nelson para se chegar de ônibus as cataras.

Muito fácil. Lógico que o paulista não terá problemas para chegar, pois é...Peguei o ônibus errado na hora de fazer a baldeação e me perdi, quando me encontrei já tinha perdido bastante tempo, e por isso não fui no parque das aves (recomendação de passeio do Nelson), tudo bem, ainda me restava as cataratas.

Cheguei no parque nacional, onde me misturei com os gringos para assistir ao espetáculo da queda das águas, muito lindo, andei pelo parque por umas duas horas, e tirei muitas fotos...Quanta água!

Cheguei na casa do Nelson à noite, ele preparou a janta, pela primeira vez comi feijão com soja, ótima idéia, a comida estava bem gostosa.

Conversamos um pouco antes de dormir, e combinamos de no dia seguinte visitar a Argentina e o Paraguai, e lógico, fazer umas compras por lá.

Medianeira - Foz Do Iguaçu

Certo, eu estava em Medianeira e agora faltavam apenas 50 quilômetros para chegar em Foz, mas eu não esperava tanta dificuldade para pedalar esta distancia, acontece que acordei com uma leve garoa caindo e quando eu comecei a pedalar caiu uma chuva forte acompanhada por raios e trovões, não teve jeito tive que parar, e esperar que a chuva fizesse o mesmo. Depois do almoço a chuva parou, e eu voltei a pedalar, e a chuva também voltou a cair, e eu novamente parei para chuva novamente parar e eu voltar a pedalar por mais uma vez. Era necessário apenas eu subir na bike para a chuva cair, assim como era necessário apenas descer da bike para a chuva diminuir. Parecia uma brincadeira dos Deuses para me impedir de chegar ao destino final, assim como nos Lusíadas, e talvez fosse mesmo por que logo em seguida meu pneu furou (trocar pneu molhado e cheio de terra é pra quem merece).
Pois bem, fui pingando de posto em posto para me proteger da chuva, mas os deuses pareciam estar determinados a não me deixar chegar em Foz, o dia tava uma merda, parei numa lanchonete e não tinha mesmo o que fazer, pedalar na chuva forte significaria molhar minhas únicas roupas de frio (eu estava usando os dois moletons que levei), e como estava frio, pedi um pastel e fiquei assistindo “procurando Nemo” que passava na TV, desanimado porem conformado, cicloturistas também tem dias ruins durante a viagem.

Porem o dia não havia acabado e foi neste momento que aconteceu algo realmente incrível, olhei para trás, para verificar se não havia ninguém mexendo nas minhas coisas, e quem eu encontro olhando para mim através do vidro com uma cara que misturava espanto e animação?! Demorou um pouco para eu me convencer, identifiquei um ciclista, mas quando fui olhar melhor percebi que eu conhecia muito bem aquele ciclista:

-PHILIP!

Eu não podia acreditar, era ele mesmo, imagino que a cara de espanto que ele viu enquanto me olhava foi maior do que a vista por mim ao olhar para ele...Era mesmo o Philip! Contornei rapidamente o vidro e fui ao seu encontro para lê dar um abraço.

Philip é um cicloturista mineiro que conheci quando subia de São Paulo para Porto Seguro de bike, o que eu já considerava uma grande coincidência, pois nos encontramos numa rota pouco provável para o encontro casual de cicloturistas (tínhamos abandonado as estradas e subíamos o nordeste pelas praias desertas de areia fofa, tendo que atravessar rios, e falésias). Lá na Bahia nos conhecemos e nos tornamos amigos subindo para Porto Seguro, juntos com mais dois camaradas.

Havíamos nos encontrado no nordeste e agora nos encontrávamos novamente no sul do país. O Philip vinha pedalando pela chuva, embrulhado em um saco de lixo na tentativa de se impermeabilizar, ao menos parcialmente, e precisou parar para pedir uma sacola plástica para embrulhar as suas coisas, e por algum motivo incrível foi na lanchonete que eu estava que ele resolveu parar para pedir a sua sacola.

Sentamos a mesa e conversamos os dois, extremamente surpresos com a incrível coincidência, eu estava indo para o sentido oposto ao dele, mas o Philip decidiu seguir viagem apenas no dia seguinte e me chamou para passar a noite no mesmo local em que ele tinha ficado enquanto esteve em Foz.






Realmente incrível...Posso dizer que não sei sobre a existência de Deuses ou sobre o funcionamento do universo, mas de fato, não posso deixar de afirmar: Sair de casa é permitir que o acaso interfira sobre sua vida, é dar chance a um destino inimaginável.

Guaraniaçu – Medianeira

O caminhoneiro na saída de Curitiba estava certo ao dizer que eu só veria reta depois de Cascavel, ficou bem mais fácil pedalar depois de passar por lá e apesar da parada durante à tarde para esperar a chuva passar, as boas condições para o pedal me possibilitaram avançar 160 quilômetros com tranqüilidade. Sim, teve mais um pneu furado, e mais remendo na câmara que já não tem mais espaço para tanto remendo, mas cheguei em Medianeira.

Por aqui o fluxo de carros é grande, provavelmente turistas atrás das cataratas, da usina de Itaipu, e das mercadorias paraguaias. Amanha devo chegar em Foz e também vou atrás de tudo isso, hoje eu durmo no átrio de uma igreja, e amanha vou embora bem cedo para não ser apedrejado pelos fieis.

Cantagalo – Guaraniaçu

Sai da casa do seu Ciro pela manhã, e tive que remendar a câmara de ar por duas vezes no caminho, meus pneus estavam carecas e não eram de qualidade, por este motivo trocar pneu estava se tornando um habito diário, quando cheguei em Guaraniaçu pedi um PF, que não foi suficiente para matar a minha fome, acho que o seu Ciro me deixou mal acostumado, então pedi um espetinho como complemento da janta.

Dessa vez eu não consegui um bom lugar pra dormir, tive que improvisar uma cama com uma poltrona de caminhão que tava largada num canto, um banco e uma tábua. Sem reclamações, foi o necessário para um ciclista cansado dormir.

Auto da Pedra - Cantagalo

Antes de me despedir de Auto da Pedra foi preciso trocar o pneu. pneu trocado cheguei a Prudentópolis onde passei a noite numa sala de depósito de um posto cheia de pastas e fichários.
Dormi bem, mas acordei enxergando meio estranho e acabei tomando um susto quando me olhei no espelho, meus olhos estavam super inchados, arrumei a bagagem meio preocupado e sai logo cedo, subi um morro enorme, apesar de ter sido cansativo a vista la de cima compensava. quando cheguei no alto já nem me lembrava mais dos meus olhos, que já estavam melhorando.



Quando já estava escurecendo cheguei em Cantagalo, a dificuldade estava sendo achar um lugar para comer, passei por paradas de ônibus onde a comida era cara demais, e por lanchonetes fechadas, até que cheguei em uma lanchonete onde o seu Ciro me disse que a comida ia demorar pra sair porque eles tinham acabado de abrir:
-Demorar quanto?
-30 minutos!
-ah, entao eu espero.

Eu bem que tentei, mas nao consegui terminar a janta, sempre achei uma deselegância grande deixar no prato a comida que pessoas tiveram trabalho pra fazer, neste dia eu não havia comido absolutamente nada e estava preparado para causar prejuizo em qualquer "boca-livre", só que quando o seu Ciro começou a trazer as travessas eu pensei, "essa comida toda é só para mim?!". Eram 7 travessas cheias de comida que ocupavam metade da mesa em que eu estava, e quando eu conseguia acabar com uma travessa me perguntavam se eu queria que enchesse a travessa novamente, e quando eu tava na metade da refeição me trouxeram um prato cheio de macarrão caseiro. Putz, assim não da, comi bem devagar tentando achar espaço para toda aquela comida, mas realmente não foi possível acabar com tudo, quando seu Ciro chegou me perguntando se queria que trouxesse algo mais, respondi a ele que não aguentava mais nada, ele abriu um sorriso largo, como se tivesse atingido seu objetivo.
Seu Ciro enquanto recolhia a mesa me disse que eu poderia dormir na casa dele, que ficava nos fundos da lanchonete, e tomar café da manhã com eles pela manhã.



Foi o que fiz, dormi em um quarto que arrumaram só para mim, e tomei café da manhã com a familia do seu Ciro, antes de agradecer por tudo o que fizeram por mim e me despedir.

Curitiba - Auto da Pedra



Após uma volta noturna pela cidade de Curitiba, comprei uma pizza média gostosa demais, e pedalei até um posto de gasolina na saída da cidade onde a ficha para tomar banho custava 2,00 R$, mas acabaram me dando uma ficha de graça, aí foi colocar a ficha para a água cair por exatos 7 minutos.

Dormi tranqüilo e pela manhã, antes de partir, conversei com um carreteiro que me disse que a estrada que eu ia pegar era complicada, que eu só ia ver reta depois de Cascavel, no mapa Cascavel ficava próximo a Foz, ou seja, pegaria ladeiro praticamente o caminho todo.

De fato, cheguei em Alto da Pedra por uma estrada onde os quilômetros pareciam ser maiores do que o normal devido a grande quantidade de ladeiras e o vento forte. Almojantei um PF de 5,00 R$, muito bem servido, em quanto assistia o jornal local na tela de plasma da lanchonete, parecia que eu tava assistindo globo rural, as noticias eram na maior parte, referentes à paisagem agrícola pela qual eu tinha acabado de passar, na estrada pedalei pela pequena cidade de Palmeira, e passei por colônias alemãs, mas o que mais vi foram fazendas muito bonitas, por serem bem arborizadas, isto resume a paisagem do interior do Paraná.




.? a Curitiba - 06/07/2010 - 20:35 h - Terça

Estou em Curitiba!
Após pedalar, subidas intermináveis e contra o vento chego a capital do Paraná, e de uma lan house aqui de Curitiba que escrevo agora.
Hoje foi bastante cansativo, e ainda contei com um pneu furado, pretendia chegar na hora do almoço e acabei chegando no fim da tarde.






Eu esperava encontrar uma cidade linda, com casas grandes, e jardins, mas Curitiba não é tão diferente da maioria das grandes cidades do país. Por aqui tem muitos ônibus tri articulados, e ciclovias, o transito não é horrível como no Rio ou em São Paulo, mas aparte isto nada de diferente.
Fui conhecer a tal da estufa, gostei bastante do jardim botânico, muito bonito!

Miracatu a... ? - 06/07/2010 - Terça - 8:49 h

Foi o dia mais difícil até aqui, mas também foi o que proporcionou as mais belas imagens, pedalei o dia todo subindo morros, no espírito "devagar e sempre", para quem esperava chegar a Curitiba antes de anoitecer, o dia poderia ser considerado uma decepção, mas ao contrário disso, foi o melhor dia até agora, parei por diversas vezes para tirar fotos do horizonte, a estrada era muito linda, e só agora eu estava me sentindo longe de casa.









Novamente eu tive que fazer uma parada forçada pelo anoitecer, não faço idéia do nome do vilarejo onde estou, seria um lugar tranquilo se não fosse pelos cachorros que não param de latir.

Miracatu a Cajati - 05/07/2010 - Segunda - 7:50 AM

Após tomar a café da manhã, trazido pelo Jefrey, segui meu rumo, pedalar de dia é muito melhor, fui vendo a paisagem que se modificava à medida que e avançava com minha bike e não era mais necessário desviar dos buracos, pois a qualidade do asfalto já era bem melhor, e eu segui por ele até chegar em Registro, onde dei um descanso e voltei a pedalar, parando para comprar bananas (00,50 a dúzia).



Decidi não almoçar, já que tinha comido bem de manhã, e fazer uma janta mais reforçada, só que eu não contava com o acostamento acabando quando anoiteceu, a estrada ficou perigosa e eu tive que parar numa vendinha de frutas, ou seja, esquece a janta reforçada, comi manga, mamão, aí perguntei para o seu Agenorrrrrr, o dono da venda de sotaque caipira, se tinha outra coisa pra comer que não fruta e ele acabou dividindo a janta dele comigo, segundo dele era uma comida de pobre, independente do nível social da comida, ela estava muito gostosa.

Armei minha barraca sob um ponto de ônibus seguindo as recomendações do Agenor, e tive uma noite tranqüila, acordando cedo para escrever sobre a viagem no caderno e tomar um café da manhã, esse sim uma refeição de pobre, pão puro com àgua, era o que tinha pra comprar.

São Paulo - Miracatu - 04/07/2010 -Domingo - 09:10 h

Sai de casa por volta das 19:00 h, gostaria de ter saído mais cedo, para evitar pegar a estrada a noite, só que todos os preparativos me consumiram tempo, e quando se tem apenas 15 dias para viajar, 1 dia a menos acaba fazendo diferença.

Peguei a Francisco Morato até cair na BR116, onde havia um fluxo grande de carrros. Percorri o inicio da estrada sem acostamento, até encontrar um acostamento esburacado onde pude seguir com mais tranqüilidade, mais a frente a estrada ficou sem iluminação, fiquei cego, juntando o breu em que eu me encontrava, com a estrada esburacada, o resultado óbvio foi a 1º queda da viagem, após ter pedalado 60 km, mas tudo bem, esta queda não foi tão ruim quanto a que tive 15 km mais tarde. Ninguém manda ser teimoso e sair de noite.

Depois de bastante tempo pedalando no escuro total, seguindo apenas um resquício da faixa branca do acostamento que meus olhos identificavam com dificuldade, encontrei o caminhão salvador, tratava-se de um caminhão que tinha algum problema e por isso ia devagar, fui seguindo a caminhão por bastante tempo, ele ia iluminando o meu caminho pela noite com suas lanternas traseiras.

Chegou um momento em que eu não sabia mais onde estava, sabia apenas que estava na BR116 em algum ponto entre São Paulo e Curitiba, eu estava cansado mas não ia parar enquanto não me localizasse, o problema é que no escuro eu acabava passando sem tomar conhecimento das placas, foi quando encontrei esta me dizendo, sinta-se em casa a apenas 15 km



pedalar 110 km para no fim se sentir em casa não era exatamente o objetivo). Parecia ser um bom lugar para passar o resto da noite, tentei pensar “ o que são 15 km para quem já pedalou 110”, putz era bastante, eu estava exausto, havia pedalado 5 horas sem parar e sem tomar água (o segundo vacilo além de ter saído de noite foi sair sem água), minha garganta tava seca, eu estava com sono, foi quando encontrei uma placa que dizia, saída para Peruíbe, e 500 metros a frente o tal do fazendeiro.

Não me senti muito em casa, me senti mais em uma dessas paradas de ônibus de viagem, onde te dão 15 minutos para ir no banheiro, esticar as pernas e olhar, apenas olhar os produtos a venda, porque só alguém muito desesperado para pagar 4,00 R$ numa garrafa de água, condição esta, cuja qual eu me enquadrava, por isso nem pensei duas vezes na hora de comprar.



Tomei banho, dormi e acordei as 8:00 da manhã com um funcionário trazendo pão com manteiga, fatias de bolo e café com leite, ele me disse que por trabalhar lá poderia pegar de graça, aí pensou “ se eu estou com fome imagina esse cara que veio pedalando de longe e passou a noite aqui”. Agradeci a Jefrey, fiquei realmente admirado com sua consideração por alguém que ele nem conhecia. Após o café da manhã, que estava uma delicia, arrumei minhas coisas para seguir viagem.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

São Paulo - Itariri

Arrumei tudo na quinta a noite. tava preparado para chegar do trabalho, na sexta, e descer pra praia.



Ao chegar do trabalho na sexta, fiz os últimos preparativos, e antes de ir embora definitivamente fui falar com o Tih e o Petty, que desceram pra me dar um abraço, conversamos por bastante tempo, fui embora lá pra uma da manhã. Pedalei até a paulista, onde esbarrei com uns ciclistas, na praça do ciclista, que desenhavam frases a favor das bikes no chão, eles me deram um papel, anotaram meu e-mail, depois de conversar um pouco com eles fui embora indo pela Paulista, caindo na Av. Jabaquara, chegando até a Imigrantes.



Passei pelas placas de divisa de municípios: São Paulo/Diadema, Diadema/São Bernardo. Passei pelo pedágio e fui descendo até encontrar com um guarda rodoviário que me disse que não poderia passar por ali...” tem uma câmera que filma tudo aqui, se filmarem vc passando como fica pra mim?!...vc tem que passar pelo outro lado da pista, por la eu não consigo te ver”. Atravessei pro outro lado seguindo as recomendações do guarda rodoviário, para pegar a estrada de manutenção.



Vi o dia amanhecer na imigrantes, antes de entrar na estrada de manutenção, uma ladeira sinuosa, estreita e linda. Desci por ela na maior felicidade, foi mais divertido que qualquer parque de diversões, a estrada corta a natureza e o tempo inteiro se tem a vista da imigrantes que acompanha a estradinha.



Passei por uma bica, onde tomei água, e uma cachoeira antes de me encontrar com a Nelma, uma corredora de aventura que apesar da idade pedalava muito, descemos juntos até a estrada que me levaria à praia grande, onde nos despedimos.



Atravessei a Praia Grande, passei lotado por Mongaguá, chagando em Itanhaem onde armei minha barraca, e conheci o Coqueirinho, um cara que fazia artesanato utilizando palha de coqueiro, conversamos bastante, ele foi embora e eu entrei no mar, já estava com vontade de fazer isso a bastante tempo. Dentro da barraca estava muito calor, por isso, coloquei o saco de dormir em frente a barraca, deitei e capotei, acordei no meio da noite com um cachorro dormindo do meu lado, achei um barato, tive que levantar pra pegar a câmera e tirar a foto do cão companheiro, ele acordou com o barulho que fiz, tirei a foto, dormi mais um pouco e arrumei minhas coisas pra seguir a diante.



Fui pedalando pela estrada até encontrar um posto onde parei pra tomar uma água e um banho. Continuei a pedalada até Itariri, logo mais eu estaria na BR116, mas antes de chegar lá encontrei com dois homens que me disseram que não haveria nada no meio do caminho, seriam mais de 150 quilômetros na escuridão total até Iguape, a minha bike não estava boa, só algumas marchas estavam funcionando e a corrente encrencava toda hora, pensei que se a bike quebrasse no meio do caminho eu estaria ferrado. Achei melhor não seguir a diante.

Um dos homens, o seu Pedro, ofereceu a casa dele pra eu passar a noite, aceitei. Fomos de volta pra Peruíbe, seu Pedro falava o caminho todo e eu não entendia metade do que ele dizia no sotaque nordestino dele. Sei que ele falou sobre o patrão, a ex-mulher, e outros assuntos, eu só respondia com: “ta certo”, “verdade”, “aham”, “sério?”, “hahaha”. Chegando na casa do seu Pedro, ele me deu uns bifes e uns tomates e falou pra eu preparar, disse que eu precisava comer porque tinha pedalado bastante. Preparei a comida, ele fez mais um negocio estranho, e comemos. O tempo inteiro ele falava “ vc pode dormir tranquilo, que aqui ninguém meche em nada, porque se mexer eu mato!” ele falou tantas vezes isso que fiquei até com medo que algo sumisse da casa dele e ele pensasse que tinha sido eu.

Dormi tranqüilo, acordei bem, me despedi do seu Pedro a quem agradeço imensamente, e segui meu rumo de volta.

Parei num mercadinho pra comprar uma água e troquei uma idéia com o dono do mercadinho que era muito gente fina, ele falou que realmente não era bom negocio eu pegar a BR116 mas que eu poderia ir por dentro do morro, passando por um monte de cachoeiras e praias desertas. A idéia me chamou muita atenção, mas eu teria que voltar logo, não sei se conseguiria, o caminho era de estrada de terra, e subindo o morro, havia o risco de eu não conseguir voltar a tempo pra estudar e trabalhar na quarta...prazo é uma merda!

Fui pra rodoviária pensando que não poderia deixar, de em outro momento, conhecer as cachoeiras e praias desertas de Peruíbe. Volto em breve.



Na rodoviária o ônibus atrasou bastante. fiz amizade com dois caras e uma mina de Itapecerica da Serra. Deu tempo pra bastante papo antes do ônibus chegar e durante a viagem de volta pra São Paulo, falamos sobre diversos assuntos, pegamos contato, e nos despedimos em São Paulo.



Já em São Paulo, tirei uma foto da cidade pensando, “ isso também impressiona”, e fui pra casa, finalizando minha aventura de fim de semana.


Vídeo resumo da viagem: http://www.youtube.com/watch?v=y23oLfvBpes

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Homenagem do Petty:" Cavaleiros de Terra Alguma"



Eles não acreditaram quando eu terminei, acontece que era tudo verdade. Cada pequeno detalhe, cada grande movimento, cada energia gasta, tudo era verdade.

Era uma quarta-feira, ou talvez uma quinta... Quando voltei para casa, recebi a mensagem: "O Joninhas passou aqui, querendo te ver!" Joninhas é um grande amigo, ou melhor, um grande cavaleiro. Jonas Faustino Santos, é o nome real. Sem diminutivo e sem mais nem menos. Amigo deste é Christopher Puig. Outro grande heroi de guerra. Achei estranho, pois, fazia mais de mês que não ouvia falar no Jonas.

Quando saí de casa, encontrei-o. Alegre como sempre o foi, correu para sentar e me contar a história. Uma das mais mirabolantes e com certeza a mais extraordinária.

8 horas da manhã e o sol acabara de acomodar-se no céu, foram trocados alguns olhares e um abraço foi dado. Uma grande despedida, para quem estava atrasado. Joninhas e Kiko (Christopher) acabavam de se encontrar e traçar os últimos preparativos. Pé na estrada e mala nas costas, pedalando por algumas horas sem parar.

Era um grande plano, era uma grande viagem. Ambos os aventureiros passaram por grandes bocados. Por vezes, não tinham onde dormir, não tinham o que tomar ou comer. Não tinham muita companhia, mas tinham suas bicicletas. Correram com o vento que os levava litoral àcima.

Passaram por lugares lindos, por lugares feios e por lugares nem lindos nem feios. Conheceram muitas pessoas, ouviram e contaram várias histórias. Para descansar as vezes apenas encostavam alguns minutos nas estradas de terra. Em outraz vezes paravam em alguma linda praia apenas para admirar o pôr do sol.

Como Virgílio e Dante que desceram até o inferno, Jonas e Kiko desbravaram praias brasileiras. Era mais um plano louco quando bolaram a viagem há três anos atrás, mas hoje era realidade, concreta como suas bicicletas. Que inclusive foram quebradas algumas vezes.

Na metade do caminho conheceram outros dois desbravadores. Correram os quatro juntos. Eram um time agora, uma pequena família de pedaladores, digo, de grandes pedaladores.

Mas, por mais que eu insista, ninguém acredita quando eu termino de contar essa história, acontece que era tudo verdade. Cada pequeno detalhe, cada grande movimento, cada energia gasta, tudo é verdade.

A família continuou a pedalar, até que chegaram enfim ao destino. Saíram de São Paulo dois grandes amigos, chegaram na Bahia quatro almas felizes. Eram felizes por terem conseguido, por terem chego ao fim da primeira longa viagem. A primeira que sempre será lembrada, a primeira que muitos dirão que não é verdade. E a primeira, que como tantos dizem, é a única que nunca será esquecida.

Petty.


Blog do Petty: http://pedrodb.blogspot.com/

São Paulo - Porto Seguro



Foi essa a nossa primeira grande viagem, que nos serviu como aprendizado para as próximas que virão.

A idéia surgiu três anos antes da realização dessa aventura (que ocorreu no fim de 2008 e inicio de 2009), quando eu e o Kiko (Christopher Puig), voltávamos a pé do colégio para casa. Ficamos extremamente empolgados com a idéia, que a princípio era ir caminhando até a Bahia, depois achamos que seria melhor ir de bike, e informamos nossas famílias que dali a três anos, viajaríamos de bike para Porto Seguro, poucos nos levaram a sério, mas ficou combinado que no dia 28/12/2008 o Kiko me ligaria, e a gente partiria.

Faltando 6 meses para a saída começamos a nos preparar, quando nossas famílias perceberam que estávamos determinados em realizar nosso objetivo tentaram nos impedir, não foi fácil convencer a todos, e no fim das contas saímos deixando parentes contrariados.

Partimos, com duas bikes que não eram apropriadas para viagens longas, bagagens amarradas no improviso ao bagageiro, uma barraca enorme e bastante pesada, e muita disposição. Após muitos contratempos chegamos em Porto Seguro, não sem antes passar por belíssimas paisagens, e conhecer pessoas que nos ajudaram bastante, sem as quais provavelmente não teríamos conseguido concluir a viagem, contrariando a todos que duvidaram da gente em São Paulo. Deixo um agradecimento especial ao Fred Fernando e ao Philip Surniche.



Pedalamos muito, chegamos em Porto Seguro, onde pegamos um ônibus de volta para São Paulo. Descobrimos que pedalar vicia (mal posso esperar pelas próximas pedaladas, se tudo der certo final do ano estarei indo para Argentina). Voltamos com lembranças que guardaremos para o resto da vida e um aprendizado que não tem preço.